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SONHEI, APENAS...

Martha F Bueno | Meu Lado Literário | | 20 de Junho de 2021 às 19:41 hs

SONHEI, APENAS...Imagem extraída do Google Images

É quando me perco sem rumo que lá me vêm os sonhos. Não falo desses que temos enquanto dormimos. Abstratos demais! Já basta a vida subjacente. Refiro-me a esses, que quando acordada, vêm como planos e metas, disfarçados de possibilidades, mas são como uma  grande e suculenta manga espada, mesclada num vermelho vibrante e um amarelo pólen, presa como pingente na ponta do galho mais alto de uma enorme mangueira. São tão altos os galhos, que nem mesmo com um pedaço de pau seria possível alcança-la, só mesmo quando podre cair no chão, e já não é a manga tão desejada como antes. Caímos de podre também!

A vida, do ponto de vista que só eu sei explicar, é uma podridão que só! Insisto em contemplar as mangas suculentas, imaginando seus sabores, texturas e sustâncias, até que de passar do ponto, espatifam-se no chão, espalhando seus cheiros já sem validade, que nada se diferem do cheiro de fezes em fraldas. 

Uma frustração que só!

E aprodrecemos junto aos sonhos. Caímos feito fezes de pombos, procurando sempre um ombro amigo como alvo. Restando-nos apenas chorar.

Mas manga sempre brota, brota até que a mangueira se finda. E as mais desejadas estão sempre lá... nos maleditos galhos mais altos. 

Assim não dá! O jeito é subir! Frustrada pra vida toda é que não dá para ficar.
Daí a gente sobe, e de primeira caí. Já na segunda, pisamos em falso, achando que ali havia um galho para se apoiar. Chega na terceira tentativa, e resolvemos nos sustentar no galho que, até então, pensávamos que nos aguentaria. E é muita pancada... até que próximo aos galhos contemplados chegamos. 

Não dá para arriscar pegar direto com a mão. Uma já está como piranha agarrada pelos dentes no galho mais firme a sustentar um corpo inteiro pendurado, agarrada como se fosse arrancar um pedaço. Cai dali seria o fim da jornada. É preciso entender que carecemos de apoio, sempre! Não rola adotarmos a autossuficiência.

E já bem posiconados, resta-nos balança os galhos frutuosos. E se não der, a gente arranca um galho de onde der, e bota o galho sobre a mira com rajadas a fim de numa pancada acertá-la, até que a pujante fruta desista de seu posto soberano!

E lá vai a bela manga se esfolar sobre o chão, durante seu violento declínio!
Não resta tempo para lamentos! Caiu!!
Uma disposição instantânea intervém, e rápida é a descida para ir de encontro com a conquista. 

Bonita, como antes, não fica... mas o gosto não muda. Resta-nos saboreá-la assim mesmo.
E sabe de uma coisa? O sabor fica ainda mais deleitoso, já que vem com sensação de vitória! 

Não há necessidade de ser suculenta, esbelta, e tudo que há de bom para uma manga ser e ter.
A questão é... ter aquela manga!
Porque manga boa em galhos baixos tem. Mas o que de fato desejamos é a conquista, que de pacote vem o reconhecimento.

E é exatamente isso que nos satisfaz!
É tão boa a satisfação que logo queremos mais.
Queremos mais e mais, que é como se nunca tivéssemos conquistado uma antes.

E fica assim... como se sonhei, apenas, ter conquistado aquela 'manga espada'.

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