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O SER ÚNICO

Martha F Bueno | Meu Lado Literário | | 22 de Setembro de 2021 às 21:38 hs

O SER ÚNICODesigned by FreePik

Muitas coisas acontecem ao nosso redor. O tempo conta com o tique-taque e nada nos para, a não ser a morte.

Tique-taque, tique-taque... o relógio está contando e existe algo em comum entre apenas um indivíduo e os demais que o cercam. Ele se vê no singular, mas não sabe viver se não for no plural.

Tique-taque, tique-taque... o tempo está passando e o ser único que enxerga apenas seu próprio umbigo está se desfazendo nessa bolha temporária. Ele sabe que pode construir algo grande por de fora da bolha, mas prefere sentir seu próprio mundo sugando um pouco do mundo de cada um que o acompanha. Ele se vê como o centro deles.

Tique-taque, tique-taque... ele não controla o tempo e quer argumentá-lo, luta contra o tempo e o tempo ganha dele um fôlego de cada dia. O tempo está vencendo.

Esse único ser, que é assim que ele se vê, pensa que tem os outros e o tempo para ele, vive como se fosse maior e mais poderoso que o tique e o taque que, para ele, logo cessará. Ele precisa saber que existe algo fora da bolha, que é soberano sobre o tempo e pode garanti-lo a vitória contra o tempo, obtendo a infinidade. 

Mas, ele, aos próprios olhos furou! Tudo o que vê, agora, é a si mesmo. No tempo que tinha, deu cabo a sua alma. O tique-taque cessou. Esse ser nem pra si mais pertence. Agora, ele chama pelo singular cuja essência é plural, uma trindade, o único que pode dizer que é único 'EU SOU'. E já não estando mais no tempo, reconhece a solidão egocêntrica em si, a qual tarde demais desejou se apartar. O cessar do tique-taque lançou-o para uma eternidade vazia, onde sofrerá para todo sempre consigo mesmo.

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